Classic Rock


Joe Perry

Ainda deixando a música falar

Por: Jeb Wright

Não é preciso dizer que Joe Perry é um dos mais reconhecíveis nomes na história da música. Como um membro do Aerosmith, ele entrou para o Rock n' Roll Hall of Fame, tornou-se um MTV Icon, vendeu dezenas de milhões de álbuns, esteve no Wayne's World II e até mesmo criou o seu próprio molho picante. Uma vez conhecido como um dos Toxic Twins, Perry está terminado a sua segunda década de sóbrio e limpo. Ambos o Aerosmith e Perry tem podido fazer milagres, pessoalmente e profissionalmente. Perry, de alguma forma, parece ter enfrentado tudo numa boa e não esqueceu de nada. Ele adotou a sua nova vida e celebra sua liberdade pelo menos uma vez.

O novo auto-titulado álbum solo de Joe está completo e pronto para ser lançado. Perry pula para o microfone e encarrega-se dos vocais. Vocalmente, Joe se mantém na sua e às vezes impressiona (ouça a sua versão do clássico dos Doors, "Crystal Ship"). A guitarra em "Joe Perry" vão fazer os velhos fãs babarem já que tem muitos altos e longos solos – lembrando um dos dias do Aerosmith que já se foram.

Nesta entrevista, nós discutimos o álbum solo e também como o Aerosmith fez o o inimaginável – conseguir que cinco caras, incluindo os Toxic Twins fiquem sóbrios. No final, Perry se abre e é honesto, mesmo discutindo o tabu que é se o Aerosmith já se esgotou. Perry se descreve como um anti-social que gosta de ficar na dele, então o fato de ele ser honesto, aberto e franco é um verdadeiro presente aos fãs do Aerosmith, sejam novos ou velhos.

Divirta-se!

Jeb Wright: Como você se sente sendo um vocalista?
Eu não sou um vocalista; eu sou um estilista vocal. Eu venho da escola que acredita que você precisa de vocais para preencher o espaço entre o solos de guitarra. Eu acho que a maior diferença deste álbum de tudo o que eu já fiz é que eu encontrei um lugar em que me sinto confortável com a minha voz e ouvindo a minha voz sendo tocada no fundo. Eu não estou me esforçando para competir com outros cantores muito melhores ­­­­– um em particular que eu conheço, que é um dos melhores e que eu tive a grande sorte de estar na mesma banda durante todos esses anos. É difícil, porque eu comparo tudo com como ele canta. Eu sempre tentei fazer aquilo e sempre parecia que eu estava forçando. Minha esposa diz, "Todo mundo parece gostar quando você está cantando blues". Eu desci para o meu estúdio e comecei a brincar com diferentes covers para meio que manter a coisa andando. Eu comecei "Crystal Ship" e ela estava ao meu alcance. Eu era capaz de ouvi-la no fundo sem me encolher e isso abriu o caminho para que eu tentasse canta-la. Eu sempre fui fascinado por muito do material de Jimi Hendrix. Em muitas músicas, ele está muito conversador. Ele está tocando e meio que falando. A banda estaria se rasgando por trás dele e ele simplesmente estaria tendo essa conversa com você. Eu tentei seguir o exemplo. Novamente, eu simplesmente imaginei ter uma banda tocando da maneira que estava enquanto eu tinha uma conversa, um estilo vocal conversador. Você está ouvindo o resultado disso.

Você foi até o Tyler pedir alguma dica?
Não, eu fiz tudo sozinho. Eu tenho aprendido muito com ele durante esses anos. Eu definitivamente, componho de uma maneira diferente da dele. Eu escrevo as letras da maneira como eu as canto. Eu começo tocando e ensaiando alguns vocais. Eu devo ter um ou verso legal ou outro e então preencho os espaços. Eu tenho que me forçar à isso, porque se eu esperar ter a inspiração, vou ficar esperando até morrer. Muito freqüentemente, eu tenho demos com apenas um vocal. Elas estariam legais para conseguir idéias mas não eram coisas que eu queria para colocar num álbum. Quando eu voltava a trabalhar em alguma dessas músicas – mesmo as partes que eu já estava bem acostumado – eu implicava com elas. Eu tinha que pensar que quando Steven vai fazer um vocal, ele faz quatro ou cinco passagens, depois nós pegamos a melhor delas e ele tenta atingi-la. Ele vai levar quatro ou cinco horas para conseguir o vocal certo. Eu ainda não fiz aquilo. Eu fui lá e fiz a mesma coisa, e isso me ajudou a elevar essas músicas da fase demo para algo que eu queria tocar em público.

Nós não vimos um solo seu desde a The Joe Perry Project. Por que agora?
Isso foi uma combinação de coisas. Eu tinha muito material e um estúdio completo no porão. Eu ia para o porão e gravava covers quando não tinha nada de novo para gravar. Eu jogava alguns licks que nunca tinham sido usados por qualquer motivo. Alguns vinham me pedir um pedaço de música para ser usada num comercial ou ser tocada numa canção. Eu estava no último álbum solo de Mick Jagger. Ele trouxe as fitas e eu gravei as minhas partes no porão. Depois de um tempo, você acumula algum material. As pessoas estavam me dizendo que soava como se eu estavesse fazendo um álbum solo. Eu dizia à elas "algum dia, algum dia". Bem, algum dia está mais perto do que eu gostaria de imaginar. Com a banda tirando um ano de folga, parecia que se eu sempre estive querendo fazê-lo, essa era a hora.

Os fãs do Aerosmith vão notar que há algumas músicas lá que poderiam ser descritas como das antigas.
Eu faço o que eu faço. Estaria meio que fora do contexto pra mim fazer hip-hop.

"Shakin' My Cage" é legal, velho estilo de guitarra slide do Aerosmith. Ainda assim, há outras músicas que você não esperaria num álbum do Aerosmith. Duas músicas que vêm à mente são "Twilight” e “Ten Years”. As duas são um passo em direção ao que a maioria dos fãs de Joe Perry não poderiam imaginar que você faria.

Eu sou um romântico por natureza; não há dúvida quanto a isso. Quando comecei nesse negócio eu pensei que o único tipo bom de música lenta seria um blues lento e mesmo isso eu só poderia ouvir em doses pequenas. Outra coisa que aprendi com o Steven com o passar dos anos é que baladas são ótimas para se ampliar musicalmente. Eu incorporei muitas das músicas que me encantaram quando eu era mais novo.

 
 

 
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