The Orange County Register

Aerosmith: acertando o alvo

Por: Ben Wener

Desta vez, você nota instantaneamente o que eles trouxeram de outras grandes turnês.

Dos Stones: asas se estendendo para a esquerda e direita do palco - que é melhor para na cara dos fãs, claro.

Do U2: gigantes passarelas iluminadas projetadas para frente, envolvendo um grupo de sortudos compradores de ingressos, mais uma versão menor das cortinas de luzes que a banda revelou na turnê "Vertigo".

De McCartney: uma montagem de como-nós-crescemos que injetava a multidão até a ardente guitarra de Joe Perry e o uivo áspero de Steven Tyler conduzirem a uma impetuosa versão de - o que mais? - "Helter Skelter".

Mesmo que as similaridades se façam parecer embora todos aqueles artistas obedeçam a algum manual (diga-se, Montagem de Shows Ilustrada), aqueles efeitos ainda foram inteligentes, e incrementos valorosos ao excitante show do Aerosmith na noite de quarta-feira num quase lotado Staples Center.

Mas o que mais revelou a nova direção da banda não foi onde ela tocou e sim o que ela tocou, ponto.

Uma comparação antes-e-depois diz tudo. Na última vez que os Toxic Twins, o guitarrista Brad Whitford e as âncoras Joey Kramer (bateria) e Tom Hamilton (baixo) vieram ao Orange County foi uma parada em Irvine em agosto de 2001, dois meses depois de fazer um dueto com Pink em "Walk This Way", em um dos anuais Wango Tangos da KIIS-FM.

Espalhados entre matérias-primas como "Sweet Emotion" e "Train Kept A-Rollin'" estavam cinco faixas do então novo álbum "Just Push Play", três de "Get a Grip", de 1993, duas de "Pump", de 1989, uma de "Nine Lives" de 1997 e a solitária topo-das-paradas dos membros do Hall of Fame, a balada "I Don't Want to Miss a Thing", de 1998.

(...)

"Sweet Emotion", "Walk This Way", "Train", "Dream On", "Draw the Line", "Back in the Saddle" - confere.

Número de faixas de "Play", "Pump", "Nine Lives" ou de "Permanent Vacation" de 1987: zero.

Número de faixas de 1978 até o presente, sem contar um par de blues do retorno-às-raízes de 2004, "Honkin' on Bobo" e uma rapidinha do recente álbum solo de Perry: somente três - "Cryin'" e "Living on the Edge" (duas das melhores músicas da última-era da banda) e "Miss a Thing", que raramente apareceu nos set lists nessa turnê (talvez Diane Warren estivesse disponível).

Número de faixas de "Toys in the Attic", de 1975: três, incluindo uma inesperada reedição de "No More No More". Número de faixas de "Get Your Wings", e 1974: quatro.

Isso é metade do álbum.

O destaque da noite, além de uma inspirada "Baby Please Don't Go" foi "Seasons of Wither" uma épica faixa de "Wings" que rádios de classic-rock como KLOS protegeram da extinção por muito tempo na obscuridade.

"Toda vez que a tocamos", Perry me disse na semana passada antes de um show em Seattle, "recebemos essa incrível reação. Finalmente nos sentimos em casa com ela quando a tocamos no The Joint", o Hard Rock Hotel de Las Vegas onde o Aerosmith gravou seu terceiro álbum ao vivo oficial, "Rockin' the Joint".

"Agora é quase sempre um ponto alto da noite. É uma dessas coisas que faz você pensar, 'Por que se preocupar em lançar um álbum novo?' Há tanta coisa que não tocávamos ao vivo que as pessoas queriam ouvir, quase não há espaço no set para tocar coisas novas".

Assim, o Aerosmith chegou à mesma realização que os antepassados dos Stones chegaram nos últimos álbuns: Fazer um álbum novo para eles mesmos, não os fãs, porque bandas como estas podem excursionar indefinidamente sem ter que manter uma reputação. Os fãs vão gastar alegremente três dígitos por material antigo (incluindo U$50 em camisas da turnê de qualidade) ano após ano.

E, por incrível que pareça, gerações mais jovens vão junto.

Perry diz, "Tem havido uma enorme afluência de pessoas de 15 a 25 anos em nossos shows. Eu não faço idéia do porquê, mas eu simplesmente vejo mais e mais garotos se voltando para o classic rock ultimamente".

A Rolling Stone noticiou recentemente (com uma historinha de Tyler sobre seu filho de 15 anos gostar de Led Zeppelin, Cream e "Toys in the Attic") que o número de adolescentes se voltando para os grandes do classic-rock cresceu de em torno de 9 para 20% em 2005, dependendo da região, enquanto as vendas de guitarras quase dobraram ultimamente.

"Eu continuo lendo nos jornais que o rock 'n' roll veio pra ficar", diz Perry, "ao contrário de alguns anos em que dizia-se 'rock está morto', ou está morrendo, ou não está na moda. Eu não sei explicar, mas está voltando de novo".

E o Aerosmith está pairando para uma grande colheita dessa mudança.

Sim, os Stones fizeram a turnê mais lucrativa de 2005. Mas quantos passeios mais eles podem realmente fazer antes de a idade ficar muito pesada? O Aerosmith, por outro lado - de várias formas o último da primeira escola dos primordiais, bandas de rock 'n' roll que cresceram com o blues - poderia concebivelmente continuar assim até 2020.

"Os Stones continuam perdendo pele e voltando com grandes shows, mas muitas pessoas esquecem, porque estamos todos misturados, que eles são de uma geração antes da nossa", diz o guitarrista, que faz 56 anos em setembro. "Eu acho que vai chegar uma hora em que eles não excursionarão mais e, julgando pelo que faz essa banda se destacar, nós ainda estaremos fazendo isso".

Esse momento, então, constitui o começo de sua fronteira final.

Houve a fase I: desconexos, assanhados garotos de um grupo de Boston, fazem seu caminho pela escada dos shows de abertura, finalmente tumultuadas arenas, vem definir o rock dos anos 70, usam muitas drogas, bebem até ficar totalmente bêbados e ter um colapso em meados dos anos 80.

Fase II: O sóbrio retorno, desencadeado pela inovadora colaboração do Run-D.M.C., o hit "Dude (Looks Like a Lady)" e o ressurgimento do interesse da MTV. Os multi-platinados sucessos levaram a um aumento de custos, lustrosas produções, performances no Super Bowl com Britney Spears, um insulto ao Aerosmith como uma marca mais do que uma banda e perda de alguma estatura.

"Nós fizemos alguns dos álbuns mais caros de todos", admite Perry. "Bem, obviamente Michael Jackson gastou muito mais, mas desperdiçamos tanto dinheiro que foi ridículo. Perdemos tanto tempo e depois não estávamos inteiramente satisfeitos com os resultados".

"Just Push Play", por exemplo? "Aquele foi provavelmente um dos piores álbuns que já fizemos. Havia muita criatividade nele, mas era muito fácil ficar emperrado com pequenos detalhes e não ver o todo. Há muito pouco naquele álbum com que me conecto. Ele simplesmente não tira partido nenhum do que fazemos de melhor, que é tocar ao vivo".

Dá a partida na fase III com "Honkin' on Bobo" - "que capta o que nós fazemos de melhor. É um álbum muito importante para nós, porque realmente nos re-conectou com o que somos originalmente. Não tendo que escrever nenhuma música para ele ou sentir qualquer pressão quanto à isso, nos deu a chance de simplesmente bater cotovelos de novo e revitalizar a máquina que fazemos quando estamos todos concentrados. Quando isso acontece, voam faíscas".

Como "A Bigger Bang" dos Stones, o feroz e encardido "Bobo" encontrou o Aerosmith voltando ao básico com chocantes resultados. O álbum ao vivo, diz Perry, foi uma extensão disso, enquanto encapsulava o espírito cru de um único show, ao invés de uma montagem das melhores performances de uma turnê inteira.

Agora a ambição da banda é levar esse sentimento re-energizado para o estúdio para um novo álbum. Perry quer fazê-lo em questão de semanas, "então poderemos voltar aquele imediatismo que tínhamos quando fizemos nossos primeiros álbuns. Nunca entregamos um álbum a tempo, mas espremendo para fazer o mais rápido possível, este será".

Ele fez uma pausa, sufocou uma vantagem.

"Bom, eu não se sei será ótimo" ele acrescentou. "Mas pelo menos será novo".

 
 

 
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