Bandas irmãs em momentos distintos
Aerosmith e Velvet Revolver, que tocam juntos no Brasil esta semana, falam sobre as semelhanças e diferenças em suas trajetórias no rock.
Por: Bernardo Araújo
A biografia de uma banda de rock costuma ter um momento de ruptura, que pode ser a separação dos músicos, uma overdose, uma morte... ou tudo isso ao mesmo tempo. Velvet Revolver e Aerosmith, representantes do hard rock clássico, têm ambos esses elementos dramáticos-roqueiros em suas histórias, embora atravessem momentos diferentes - e representem gerações distintas. As duas bandas têm algo mais em comum: tocam juntas no Morumbi, em São Paulo, no dia 12, quinta-feira. O Rio, dessa vez, não verá o Aerosmith, que só esteve na cidade uma vez, no Hollywood Rock de 1994. O Velvet (que inclui três integrantes do Guns N' Roses), no entanto, vem ao Citybank Hall no dia seguinte, sexta-feira 13.
- O Rio verá nosso show inteiro - diz o baixista Duff McKagan, que formou o VR com seus colegas de Guns Slash (guitarra) e Matt Sorum (bateria), além do cantor Scott Weiland (ex-Stone Temple ìlots) e do guitarrista David Kushner, em 2002. - Em São Paulo teremos apenas 45 minutos, antes do Aerosmith. Aliás, estive recentemente na festa de aniversário de Steven Tyler e combinamos de nos divertir muito no Brasil.
O Aerosmith, que tem como figuras centrais o cantor Tyler e o guitarrista Joe Perry - conhecidos como os Toxic Twins, os "Gêmeos Tóxicos", nos anos 70 - já completou o circuito e começou de novo: com seu rock dançante, fez muito sucesso 30 anos atrás, seus integrantes afundaram-se nas drogas, a banda se separou, voltou por baixo e conquistou novamente o mundo.
- Agora precisamos lançar um disco novo - comenta Perry. - Nosso último CD de carreira, "Just Push Play", é de 2001. Faz muito tempo.
Disco de blues fez bem à banda, diz Joe Perry
Desde então, o quinteto de Boston lançou um disco de regravações de blues, "Honkin' On Bobo", e um ao vivo, "Rockin' The Joint".
- Foi muito importante gravarmos "Honkin'...", porque precisávamos voltar ao processo de gravação antigo em que apenas tocávamos as músicas e curtíamos o clima no estúdio - lembra ele. - Estávamos nos perdendo na tecnologia. Agora saberemos dosar melhor as coisas. A falência das gravadoras tem, pelo menos, a vantagem de aliviar a pressão sobre os artistas. Como eles não fazem mais muita coisa pelos discos, nós podemos lançar e gravar quando acharmos melhor.
A banda promete surpresas no show em São Paulo.
- É claro que haverá músicas de todas as épocas - garante ele. - Mas vamos buscar algumas que não tocávamos há algum tempo, além de pesquisar quais foram os maiores sucessos aí no Brasil.
A julgar por "Rockin' The Joint", sucessos como "Walk This Way", o standard "Train Kept A Rollin'" e a balada "I Don't Want To Miss A Thing" não devem ficar de fora. Além do ânimo com a viagem, o Aerosmith comemora a presença do time completo: o baixista Tom Hamilton perdeu shows em 2006 por estar tratando um câncer na garganta.
- Tom está de volta, com o bom humor de sempre - anuncia Perry. - De nós cinco, ele é o mais entusiasmado por fazer parte do Aerosmith. Foi muito estranho tocar sem ele, sempre parecia que era provisório, mas foi uma turnê inteira, praticamente. David Hull, que o substituiu, é um grande baixista e um bom amigo nosso, mas, mesmo assim, era muito esquisito.
Perry confessa que não se lembra muito do que viu no Brasil em 1994.
- Os shows foram ótimos, com platéias muito animadas - manda o clichê. - Lembro-me das praias, claro, mas realmente me fogem os detalhes.
Logo ele, que tem algo em comum com muitos brasileiros.
- Meu nome, originalmente, é Joe Pereira - diz. - Sou descendente de portugueses. Meu pai mudou o nome, mas o resto da família continua sendo Pereira. Pena que não falo a língua de vocês.
OBS.: O resto da matéria fala apenas sobre o Velvet Revolver.