Nota: A jornalista que fez esta matéria, não muita noção do que escreve (ou seja, quanto ao Aerosmith, ela é meio desinformada e escreve alguns nomes errados e etc.). As coisas mais absurdas estão marcadas, e com uma legenda explicativa no final da página.
Aerosmith - As nove vidas de um gato de 25 anos
Por: Patrícia Renda
O bocão de Steven Tyler está mais aberto do que nunca. Ele está espalhando aos quatro cantos do planeta as palavras do novo trabalho de sua banda, o Aerosmith. Depois de 26 anos de carreira, Steven, Joe, Tom, Joey e Brad têm o orgulho de apresentar seu último álbum, intitulado Nine Lives. O nome não podia ser mais apropriado, uma vez que o disco demorou muito a ser lançado justamente porque a banda teve que enfrentar a sua gestação. Como quatro¹ gatos, os membros do Aerosmith tiveram que se reciclar e usar mais uma de suas vidas para que tudo terminasse com um final feliz.
Estranhamente, aquele grupo animado, debochado e colorido que sempre foi o Aerosmith, mudou de temperamento e teve que enfrentar seus próprios fantasmas durante as gravações de Nine Lives. As crises surgiram de todos os lados, atingindo até mesmo o empresário do grupo, que foi restituído em meio à confusão.
Nine Lives começou a ser criado em janeiro de 1996, quando os membros da banda e alguns convidados iniciaram o processo de composição das músicas. Até aí estava tudo em ordem e a parceria com Mark Hudson, Marti Frederiksen, Desmond Child, Jimmy Jam, Terry Lewis e Robert DeLeo, do Stone Temple Pilots, parecia garantir o sucesso do disco.
Mas nem tudo correria bem e, em muito tempo para a pré-produção, o grupo resolveu começar a gravar. E foi bem aí, quando a banda entrou em estúdio, que os problemas começaram. Joey Kramer, o baterista, sofreu um forte choque emocional e ficou impedido de tocar, tendo que ser substituído por Steve Ferrone. Acontece que, depois de alguma sessões de gravação que duraram dois meses, Steve não agradou o grupo, criando uma atmosfera estressante para todos. Segundo depoimentos de Brad, o quinteto não ficou contente com a atuação de Steve porque o som estava muito diferente e muito mais limpo do que o Aerosmith de sempre. Com o descontentamento geral da banda, criou-se uma competição, com Steven Tyler de um lado e o resto do grupo de outro, simplesmente discordando de tudo o que o outro concordava. A bagunça estava armada.
Mas, como adultos que são, o quinteto percebeu que não estava conseguindo sanar suas diferenças e resolveu se internar em uma clínica de tratamento. Através da terapia de grupo, a clínica ajudou o Aerosmith a retomar sua unidade, resolvendo seus problemas internos de comunicação. Se por um lado a internação trouxe incontáveis boatos de que a banda estaria fazendo um tratamento para se livrar de drogas e blá, blá, blá... por outro, os resultado da conversa em grupo foram imediatos. Assim que voltaram à ativa, despediram , em senso comum, Tim Collins, antigo empresário do grupo. E como se estivesse em uma tempestade cheia de raios, o Aerosmith teve que lidar com mais um dilema. O produtor escolhido para trabalhar com eles, e que já havia começado as gravações em Miami, Glen Ballard, não pôde ficar esperando que a crise do grupo passasse, uma vez que havia se comprometido a trabalhar com outros grupos. Ele estava sendo escalado imediatamente para cuidar de Alanis Morissette e Van Halen. Em seu lugar, entrou Kevin Shirley, que também produziu o Silverchair.
Uma vez escolhido o novo produtor, o grupo teria que refazer várias faixas do disco que não tinham ficado a seu gosto. As gravações foram transferidas para Nova York, onde Kevin praticamente recriou todas as músicas de Nine Lives. O resultado foi tão apreciado pelo Aerosmith que muitas faixas foram adicionadas ao projeto inicial do que seria o álbum, sendo que algumas saíram como bônus tracks nas versões japonesas do disco. Finalmente antes do Natal do ano passado, o grupo conseguiu terminar as mixagens do álbum, mandando-o para a prensagem. Com cabeça mais sossegada, o início do ano foi marcado pela gravação do vídeo da música de trabalho, "Falling In Love (Is Hard On The Knees)", que já está sendo exibido na MTV. Além deste e de outros vídeos que virão, o quinteto também teve que se preocupar com a promoção do lançamento do disco e com o planejamento das datas da turnê mundial que deve iniciar em breve.
Depois de quatro anos sem lançar um disco, Nine Lives saiu como o esperado pelo fãs do Aerosmith. Segundo as definições do próprio grupo, o álbum traz o Aerosmith dos anos 70 com a cara dos 90. Cansados de serem questionados sobre suas idades, mas otimistas em relação à aceitação de Nine Lives pelos admiradores da música em geral, a banda admite que o novo álbum traz algumas mudanças. Mas eles fazem questão de deixar claro que elas não aconteceram por causa de nenhuma influência musical dos anos 90, que teria sido incorporada por eles, mas sim pela variedade de co-escritores e co-compositores que colaboraram no disco. O Aerosmith acredita estar sempre aprimorando o próprio estilo, que deve ser sempre renovado para acompanhar a evolução dos tempos sem perder a personalidade. Talvez seja por isso que algumas pessoas insistem em dizer que todos os discos do Aerosmith são completamente iguais (mas isso já é uma questão individual de cada ouvinte).
As treze faixas que fazem parte do álbum trazem um pouco de tudo. Há canções típicas para serem tocadas nas rádios, como aquelas que viraram hits televisivos com aquela dupla de garotas fazendo estripulias, assim como outras que comemoram o velho rock'n'roll, sempre no estilo Aerosmith, com a voz inconfundível de Tyler. "Falling In Love..." é um bom exemplo do que o Aerosmith tem feito nos últimos anos: um rock multimídia fácil de ser ouvido e gravado pelo mais distraídos. Apostando na tecnologia e no bom humor, o grupo aproveita a era da televisão para completar o trabalho da música com um vídeo-clip de última geração. Como não podia faltar, "Hole In My Soul", como o próprio nome sugere, é uma balada romântica para colar nos ouvidos de qualquer desiludido amoroso. Um pouco e blues também pode ser encontrado, como na canção "Love Is Like The Right Dress On The Wrong Girl"². Batidas lentas e sexys aparecem em "Pink", assim como um ritmo mais acelerado toma conta de "Crash". Tudo sem perder o tempero original do grupo. A diferença fica por conta de "A Taste Of India", na qual quiseram retratar um pouquinho desta cultura tão exótica que invadiu os EUA através de milhares de imigrantes daquele país. A canção conta com o sarongi, um instrumento originário da Índia, que confere uma atmosfera diferente ao velho som do Aerosmith.
Depois de enfrentar todos o percalços e obstáculos de uma gravação tão complicada, o Aerosmith só quer saber de esquecer o passado e ficar de olho no futuro. Concentrados no novo trabalho, Steven, Joe, Tom Brad e Joey querem mais é curtir o sucesso de Nine Lives, que saiu em março e já conta com uma boa receptividade dos fãs e da mídia especializada em geral. Este não foi, e nem será, o último desentendimento do grupo, que já passou por fases parecidas anteriormente. Afinal, após 25 anos de sexo, drogas e rock'n'roll não é qualquer pedra no meio do caminho que vai assustar o Aerosmith. Eles passaram de hippies a milionários do mundo do rock, de influenciados a influenciadores e de completamente drogados a... mais respeitáveis.
São 25 anos de experiência que o Aerosmith pretende usar na tão esperada turnê de Nine Lives. Com as picuinhas resolvidas e uma bolacha novinha na mão, o quinteto de Boston quer mais é cair na estrada e esquecer o resto.
¹ Primeiro, ela escreve os nomes dos 5 integrantes da banda. Depois, ela diz que são 4 gatos.
² Aí era para estar escrito "Ain't That A Bitch".