Aerosmith - Grip Tease
By: Daina Darzin
Steven Tyler quer estar no espaço sideral.
"Positivamente", ele ri da distante Espanha, no, hum, sobrenatural horário de 5h da manhã, no horário de Nova York. "Eu gostaria de ser o artista a caminho de marte. Meu único arrependimento é de que nós começamos numa era em que isso não estava disponível. Você não podia ir lá em cima; era só para os astronautas. Nossos filhos poderão viver isso, viver a falta de gravidade. Eu fico muito frustrado de não poder. Eu vostumava pular das árvores, no feno, pular das pontes, fazer bungee jump e queda livre."
Para o Aerosmith, este desejo de ir nas alturas tem sido a força-guia de sua carreira - com alguns resultados desastrosos. Mas aqui estão eles agora, talvez a melhor definição de lendas do rock 'n' roll e sobreviventes, trabalhando com a imprensa nos preparativos para o lançamento de seu 16º álbum, Get a Grip.
Apropriado para uma instituição tão honrosa, a Central do Aerosmith está logo ali do outro lado da rua na cidade de Cambridge, Massachussets, localizada numa fila de belas e pomposas casas. Os escritórios dos empresários estão cheios de álbuns de platina, estatuetas de prêmios, mobília cara e a contínua afobação da equipe. Incrível, considerando que há dez anos atrás, o Aerosmith estava afundado em drogas e no fundo do poço. Quando o guitarrista Joe Perry saiu depois de anos de animosidade de alta voltagem entre ele e Steven Tyler. "Eu estava extático de a banda estar separando, mesmo que isso siginificasse que as coisas ficariam ainda pior", lembra o baixista Tom Hamilton.
"Ficou muito mais silencioso", acrescenta o segundo guitarrista Brad Whitford entre pedaços de comida pronta. "Eu achei que viveria mais. Antes, era tão horrendo e não-funcional que eu nem queria pensar nisso".
"Eu nunca desisti do sonho de a banda se reunir novamente em sua formação original", diz o baterista Joey Kramer, acrescentando com uma risada, "ou então eu estava num profundo processo de negação do que estava acontecendo".
Tom insiste que Joey tinha a maior compreensão de todos. "Nós estrávamos no carro do Joey e dirigíamos até Nova York para trabalhar no Rock In a Hard Place [de 1982], e Joey ficava frustrado. 'Tom, você não vê o quão ruim estão as coisas?'. Eu ficava pensando em perguntar ao Joey se poderia fumar um baseado em seu carro, então eu ficava muito longe da realidade".
Claro que as coisas mudaram. Em meados dos anos 80, os membros do Aerosmith ficaram sóbrios e seguiram emprestando um novo significado ao termo "retorno" com uma grande estouro de criatividade, o multiplatinado Permanent Vacation de 1987. Enquanto isso, milhares de bandas de metal e glam seguiram a marca registrada de Tyler, com os lenços e as roupas.
"Eu lembro quando estávamos fazendo a turnê Back In The Saddle - a banda tinha acabado de se reunir - e eu estava organizando as minhas roupas de palco", lembra Tyler. "Uma das minhas favoritas era uma preta-e-branca toda listrada. Nikki Sixx estava usando uma igual durante a turnê Theatre of Pain do Motley Crue. Eu pensei, 'Oh m**rda, não posso mais usar esta. Esses p****s estão usando as minhas coisas!' e alguém me disse, 'Cara, você pode usar; você começou usando, é sua'. A história sempre se repete. Nos anos 80, bandas levaram além o que nós fazíamos com as coisas glam, que nós recusamos no passado quando excursionamos com o New York Dolls [nos anos 70]. Os Dolls fizeram isso muito bem. Era uma questão de sentimento, não a roupa de plástico de Arthur Kane. Era a atitude deles e o que eles tocávam. Tudo se encaixava."
E atitude certamente toma o centro do palco em Get a Grip, um lado cru, sem enfeites, do Aerosmith que remete de volta ao seu melhor rock do começo, como Rocks. "Não sei se realmente fotos deliberados quanto à mudança, mas houve coisas nos nossos últimos dois álbuns que nos levaram para o caminho errado", admite Whitford. "O tipo de músicos que somos, realmente viermos de uma garagem, das ruas - é isso que somos. Alguns dos valores de produção nos incomodaram. Eu ouvi uma das músicas de Pump [de 1989], trumpetes e tudo aquilo, e ocasionalmente aparece uma guitarra no meio. Eu acho que foi apenas uma reação natural voltar ao básico."
É um som que ironicamente, tomou dois estúdios - em L.A. e Vancouver B.C. - e três mixagens. "Quando você faz gravação multitrack, você coloca tudo o que pode", explica Tyler. "Nós normalmente acabamos testando tudo, exceto tubas. Aí é com a banda decidir de tudo isso o que soa bem e visualizar o geral - a mixagem no final. Quando chegamos ao produto final desta vez, as primeiras pessoas falharam miseravelmente. Estávamos esgotados mentalmente. Quase pensamos que não tínhamos gravado. As mixagens ficaram um pouco naazzallly."
"Eles não estavam fiéis", intervém Joe Perry, "ou explosivas. Não tinha nada na frente, e o final não soava direito. O ponto é que muito do álbum é de alcance médio; tem muito mais guitarras. Aquelas coisas estavam soando muito esquisitas".
O 3º mixmaster, Brendam O'Brien, acabou tendo a solução. "Ele é um mixador muito simplista. Ele gosta de trabalhar com o que está lá", explica Tyler. "Soou brilhantemente. Perguntamos a ele, 'Que diabos você fez?' e ele disse, Eu não fiz nada. Vocês é que fizeram. Eu só valorizei o que estava na fita'. Aparentemente as outras pessoas envolvidas no projeto tentaram fazer o que já soava bem soar melhor, e ao fazer isso..."
"Eles f**eram tudo", diz Perry sucintamente.
"Já devíamos saber pelo nosso passado", diz Tyler. "Tentar demais ao invés de manter as coisas simples sempre foi um dos meus maiores problemas".
Get a Grip vai desde a obsceno, slam-bang "Eat The Rich" até o passeio pelo punk de "Fever", até uma balada blueseira quase country "Cryin'", até "Line Up", um rock retrô e orgulhoso co-escrito por Lenny Kravitz, que Tyler e Perry conheceram no backstage de um show do Guns N' Roses em Paris.
"Éramos os únicos acordados lá", diz Perry. "Ele está no mesmo tipo de rock 'n' roll que nós, então foi muito natural. Era quase como um sopro de ar fresco, porque ele estava explorando a música dos anos 60 pela primeira vez e estas são as nossas raízes. Ele gosta dos sons análogos e dos amplificadores e dos mesmos álbuns que eu".
Armados com um design de palco bem amplo para refletir o eficiente novo material, o Aerosmith planeja fazer uma turnê particularmente longa para promover Get a Grip, aterrisando em todos os pontos internacionais de sua enorme base de fãs. Muitos desses fãs têm cerca da mesma idade dos filhos dos 'Smiths', e alguns acham que Permanent Vacation foi o álbum de estréia da banda, mas isso não encomoda o Aerosmith nem um pouco.
"Os garotos que não nos conheciam antes vão à loja de discos, até a seção do Aerosmith para pegar o que querem", diz Kramer. "Depois eles olham atrás e pensam 'Wow, tem mais 12'. Às vezes, eu acho que eu mesmo penso na banda desta forma. Não que eu não ame o nosso passado - é a nossa história musical e é o que somos - mas a banda teve meio que um renascimento. Conforme vamos envelhecendo, ficamos melhores. Se eu pensar nisso dessa forma, ainda faltam muitos álbuns".
Esta é uma boa notícia para a Sony Records, que acaba de assinar com o Aerosmith um contrato de multi-álbuns, multi-milhões e muiti-discussões. "Ah, não, não podemos divulgar nenhuma informação", ri Kramer, "além dos 150 milhões que ganhamos".
"Foram 200 milhões", diz Hamilton.
"Ah, desculpe, eu não li a revista Circus", debocha Kramer.
"Todo mundo acha que sabe o valor porque eles calculam pelo número de álbuns", diz Hamilton. "É como quando os policiais prendem as pessoas com maconha. Eles estimam o valor em termos do que ganhariam se ela fosse enrolada em baseados e vendida na rua - varejo máximo ao invés de vender o todo".
Qualquer que seja o montante, o contrato obriga o Aerosmith a continuar detonando até depois dos cinquenta anos - algo que você imagina que eles estarão fazendo de qualquer jeito, por muito dinheiro ou não. "Desde que Joe Perry esteja ao meu lado, eu estarei lá", declara Tyler.
"Esta empresa veio e disse, 'Achamos que vocês estão acontecendo, queremos fazer compromisso", diz Hamilton. "Não há precedentes para o rock 'n' roll; não há uma idade obrigatória para se aposentar. Os únicos equivalentes são os caras do blues. John Lee Hooker, que ainda está se apresentando vem em seus setenta anos, eu ouvi que ele gosta do Aerosmith. Conhecemos alguém que trabalha pra ele. Ele disse, 'Quando estiverem em L.A., vocês tem que vir vê-lo'".
"L.A.?" diz Kramer, horrorizado. "Ele é de L.A.?"
"George Clinton estava no Orpheum na outra noite com uma banda de 17 integrantes", relembra Whitford. "Eles tocaram por quatro horas". Albert Collins veio na conversa, e Screamin' Jay Hawkins e Chuck Berry - uma série de caras que conhecem sobre sobrevivência e manter sua arte viva. Apesar de tudo por que passou, o Aerosmith não mudaria nada em sua longa e turbulenta história. Bem, quase nada...
"Se eu pudesse mudar algo, eu jamais teria deixado a cocaína entrar na minha vida", diz Hamilton solenemente. "Não para entrar m reabilitação".
"Eu teria usado protetores de ouvido muito mais cedo", diz Whitford ensaiando um sorriso. "Eu ouvia isso quando era garoto - 'Você vai arruinar os seus ouvidos' - e não deu outra...."
"Mas vocês não podem mudar o passado", ri Kramer, "então f**a-se! Estamos começando. De novo".