USA Today


Perguntas & Respostas: Steven Tyler e Joe Perry

Steven Tyler e Joe Perry do Aerosmith falaram com Mike Snider do USA Today sobre os planos para seu novo jogo Guitar Hero: Aerosmith . Aqui estão alguns trechos da conversa:

Pergunta: O que vocês acham do Aerosmith ter seu próprio video game?

Steven Tyler: Tem algumas batalhas que você não pode lutar. Você gostaria de manter a tradição e fazer faixas mais profundas de álbuns ou B-sides. Mas a tecnologia está andando tão rápido agora que, para não ficar pra trás, você acaba se deixando levar.

É uma época diferente. Há 25 anos, nós nunca deixaríamos uma de nossas músicas ("Dream On") ser uma daquelas usadas para vender carros (num comercial da Buick de 2004). Mas agora, como "I Don't Want to Miss A Thing" (no blockbuster "Armageddon" de 1995), é posicionamento.

Quando ouvi sobre a Activision e tudo isso, achei que o que quer que pudesse fazer para que isso fosse o melhor possível — porque o meu filho joga isso — achei que deveria fazer.

Você está falando da sessão de captura de movimentos para o jogo?

Tyler: Fui para Los Angeles ver como se faz isso. E eles disseram que alguém pode dublar a sua letra e eu disse, 'Eu não passei 30 anos sendo eu mesmo para deixar outro fazer isso'. Passamos quatro semanas com os caras da Activision e da Neversoft . Foi como aquilo que eu fiz para o filme "The Polar Express" (de 2004 em que Tyler interpretou um elfo). Você todos esses sensores em você e eles são sincronizados com um computador, mas nós meio que fizemos cinco passos além disso. Eu disse, 'E se nós movermos as câmeras e montarmos um espaço do meio e eu agarro o microfone e faço as minhas coisas com o microfone, então mais de mim pode ser capturado'. Na terceira semana, eles me mostraram o que tinham feito e eu não conseguia acreditar.

Como os músicos vêem a indústria de video games, particularmente com jogos como 'Guitar Hero'?

Tyler: Eu acho que tem tantos garotos jogando video games agora, é meio que uma trilha sonora de um filme. Pega uma música e a incrementa. Isso somado a um bom momento numa música pode significar tudo, como uma performance ao vivo quando Joe corre para o final da rampa, tira a camisa e bate na guitarra. Eu tinha minhas dúviadas, mas é realmente insano. Eu podia fazer coisas que você nunca veria ao vivo. E se você ganhar, fizemos alguma coisas especiais, como entrevistas e dissemos alguns segredos como o que eu estava pensando quando escrevi as músicas.

No passado, pensávamos que era errado usar uma música para vender alguma coisa, mas isso não é vender um produto. Você está jogando e o quarto está cheio dos seus amigos.

Vocês podem dizer como veio a idéia deste video game?

Joe Perry: Eu entrei na sala onde normalmente temos os video games instalados e notei que o controle tinha uma forma estranhamente familiar e ouvi algumas músicas de rock e diss, 'O que está acontecendo? O que é isso'. Roman (seu filho mais novo) explicou pra mim e eu toquei um pouco e disse, 'Isso é fantástico. Tem alguma música do Aerosmith aí?'. E no primeiro jogo não tinha.... eu liguei para o meu empresário e disse, 'Isso é fantástico. COmo não estamos envolvidos nisso?'. E desde então tenho pressionado para nos envolvermos no jogo e no movimento.

O movimento? O que quer dizer com isso?

Perry: Eu acho que isso é parte de como as pessoas vão ter as músicas. As gravadoras se engoliram, basicamente dissolveram e estão tentando de todas as formas ressucitar um paradigma morto. E isso está bem na frente delas. Esta é uma forma (para pessoas lançarem músicas novas). Tudo desde comerciais de carros... até YouTube e um abortado Nap-ster que deveria ter sido sacado pelas gravadores há muito tempo. Era óbvio que os fãs queriam isso e não se importavam em pagar por por isso, mas as gravadoras simplesmente ficaram cegas para isso e basicamente destruíram uma indústria.

Então o que sobrou é uma enorme abertura. De um lado você tem os fãs que querem música o ótimas formas de ouvi-la, MP3 players e iPods e fones de ouvido e rádios satélites, então eles tem todas essas formas de ouvir música e você tem muitos artistas ótimos e novos artistas lançando músicas muito boaes e em algum lugar no meio dessa abertura está como eles vão conseguir que os artistas sejam pagos, quanto eles devem receber e não terem prejuízo e os consumidores não terem que pagar US$20 por um CD no qual eles deveriam pagar US$7.

Video games são um ótimo veículo para bandas para lançar música. Está acontecendo e vai ser uma das formas que as pessoas vão buscar para conseguir suas músicas. Um jogo como "Guitar Hero" é muito bom porque você toca junto com a música. Não é música de fundo.

Tenho 45 anos e o Guitar Hero me reconecta com a as músicas que eu ouvi quando era mais jovem.

Perry: Ele trabalha em muitos níveis, porque ele quebra muitas barreiras. Os garotos estão ouvindo músicas que podemos considerar 'não-legais'. Havia uma era em que havia o fator 'legal' porque as pessoas ouviam certas músicas. Isso se quebra porque a popularidade da música é baseada em se ela é uma música. Ponto. ...É deste movimento que estou falando.

Tem sido ótimo trabalhar com caras desta geração mais jovem, que são jogadores e adoram música e hard rock e todo tipo de música e e eles pensaram numa forma de dar aos fãs uma chance de chegar um pouco mais perto de viver a experiência de estar numa banda de rock.

Alguns músicos tem meio que feito piada do jogo. Mas parece que vocês acham que é uma forma legítima de ter uma experiência mais profunda com a música.

Perry: Certo. Eu acredito piamente que de 100 pessoas que jogam, vai haver uma certa porcentagem que vai dizer, 'Wow, isso é divertido, imagino como seja tocar guitarra de verdade' e pegar uma de verdade e ligar num aplificador e ver como é. Deve ser uma pequena porcentagem, mas mesmo assim, é outro encorajamento para os garotos tocarem música de verdade. Então eu acho que tem muitos benefícios.

Vocês devem lançar músicas novas através do video game?

Perry: Isso foi discutido. Não tenho muita certeza de onde estamos quanto a isso. Faria sentido no ponto de vista de um fã, no ponto de vista de uma banda, de uma gravadora. Mas não sei do ponto de vista de um advogado.

Tudo o que posso dizer é que está é a oportunidade, uma parte do movimento e como as coisas vão ser. Uma das coisas sobre estar na Sony, é que funciona de duas formas. É ótimo estar num selo, mas por outro lado, você está restrito em um monte de coisas. Sem um bom acordo entre os advogados, não sei se esta é uma possibilidade neste momento.

Mas sem dúvida para bandas jovens que não tem restrições, eu acho que está acontecendo. É ótimo porque logo depois das músicas das bandas novas, você ouve "Disraeali Gears" do Creeam ou "Are You Experienced" do The Jimi Hendrix Experience e é um ótimo veículo para ouvir todo tipo de música. Na maior parte do tempo que eu sei, eu ouço música no rádio quando estou dirigindo e só. É música de fundo na maior parte do tempo. Ou estou realmente compondo ou tocando. O ponto é que eu nem sempre sento e ouço música. Mas com esse jogo, é parte do entretenimento. Você está ouvindo música e apredendo a música entrando nos riffs de guitarra. Deste ponto de vista, acho que é incrível.

Como vocês chegaram ao roteiro?

Perry: Uma vez que decidimos que seria algo em que poderíamos trabalhar juntos, tentamos criar algo que fizesse sentido como um roteiro e a idéia. Como temos um catálogo enorme — era meio que importante que se tivéssemos um jogo em torno de uma banda, você precisa de uma banda que tenha muitas músicas, o jogo tem umas 30 ou 40 músicas — a decisão final foi 'Por que não fazer isso numa ordem cronológica, então ela meio que conta a história do que aconteceu'.

Você pode ouvir a diferença nas músicas conforme a banda vai seguindo e conforme ficamos um pouco mais sofisticados no estúdio. Você pode ouvir o crescimento da banda musicalmente e em termos de entretenimento. Alguém poderia dizer que a história é quase um clichê, mas fomos um dos que estavam lá fazendo isso. Aqueles autos e baixos foram seguidos por muitas outras bandas desde o nosso começo, tornou-se meio clichê. Mas para nós, eram nossas vidas. Poder colocar esse contexto de uma forma mais leve às vezes, às vezes séria, e divertida às vezes, é outro nível de entretenimento para o jogador.

Haverá até mesmo os momentos em que alguns membros da banda param de tocar juntos por um tempo?

Não sei. Acho que não. É focado principalmente no lado positivo. O roteiro é muito positivo e empolgante.

 
 

 
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