Diario Clarin

Traduzida por: Deia Sega

"É difícil parar"

Por: Gloria Guerrero

Diario Clarin: Te assusta que os Rolling Stones seguem tocando depois de quatro décadas?
Steven Tyler: Bom, não são os únicos: o Aerosmith faz 37 intensos anos em cena. Seu lema mescla hard rock, blues, glam e boggie-woogie que deu infinitas voltas no mundo e contemplou para a banda um dos mais gloriosos títulos: o de verdadeira estrela da musica popular.

Steven Tyler (vocalista) e Joe Perry (guitarrista) formam a talentosa dupla do quinteto e mantêm uma sólida (e ao que parece, eterna) amizade que superou todos os contratempos. Mais de 130 mil argentinos deram conta do fenômeno Aerosmith durante 1994, quando o grupo visitou duas vezes nosso pais e deixou em chamas o estádio de Vélez Sarsfield. Desta vez a apresentação será dia 15 de abril em River, no marco do Quilmes Rock 2007, com entradas quase esgotadas.

A cara aterrorizante de Tyler podia engolir um punhado de rugby de uma vez, mas também serve para dar uma gargalhada mais ampla e sincera. Amável, divertido, mesclando a gíria de Boston com algumas palavras em italiano (não é a toa que seu sobrenome é Tallarico), Steven antecipa ao Clarín a próxima chegada de sua banda a Buenos Aires, depois de treze anos de espera.

Nem todos sabem que você participa de campanhas pela liberdade de expressão e outras boas causas, continua com isso?
Sim, e agora tive a oportunidade de conhecer Al Gore e sua esposa, Tipper, depois de seu filme “An uncomfortable truth” (uma verdade incomoda). Contei a ele o que pensava e dei meu telefone, pensando que talvez me ligasse. Ele fez isso, me convidou para jantar em sua casa e passamos uma boa noite falando sobre o planeta... Sabe, os governos olham para outro lado. Alguém, um dia, perguntará porque as baleias encalham nas costas e morrem: ficam gritando que nem loucas, querem sair da água, não podem suportar o ruído ali embaixo. E isso os governos não falam. Nem falam das toneladas de radiação no meio do oceano; para eles é informação classificada... Perguntei ao Al Gore se estava de acordo de aproveitar parte de seu filme em nossos shows, bem antes de tocar Livin' On The Edge. Disse que sim "Façam toda ajuda".

Vão fazê-lo também em Buenos Aires?
Oh, sim.

O Aerosmith encabeça aqui em uma noite de festival que também tocarão Evanescence e Velvet Revolver. Que você acha de seus companheiros de show?
O Velvet Revolver me encanta, acho que são grandes estrelas; com Slash somos muitos amigos. E com Evanescence compartilhamos algo (ri): uma noite ao sair do Grammys, o Aerosmith não foi embora de limusine e fomos direto a lanchonete In-N-Out, em Los Angeles. Entramos pela porta de trás, e ali estava o Evanescence! "Que estão fazendo aqui vocês?"; "Não, o que vocês estão fazendo aqui?". Eles morrem por estes hamburguês, e meus filhos também. Ninguém, nem em um milhão de anos, esperaria que todos os integrantes de Aerosmith e Evanescence entrariam no In-N-Out e pediriam cheeseburgers... (ri). Essa moça continua no Evanescence?

Amy Lee? Sim...
Ah, bom, que bom, muito bom!... Esta noite também tocam os Ratons Paranisos...?

Os Ratones Paranoicos: The Paranoid Mice. Já faz vinte anos que tocam rock ao estilo dos Stones.
Paranoid Mice? (gargalhada) Oh, genial, vinte anos!! Quero escutar esta banda...

Está esperando um novo álbum de estúdio. Quando sai? É certo que incluirá alguns temas que ficaram fora de outros discos?
Tudo isso é verdade; o única coisa que não sabemos é quando irá sair, suponho que antes do Natal. E sim, as vezes reescrevemos canções que não interessam muito e que tivemos que deixar de fora de outras edições. Trabalhar este material é um pequeno segredo que aprendemos com os anos: para alguns de nossos temas damos outra oportunidade. E o resto são canções novas: escrevemos algumas o ano passado e faremos outras no mês livre (maio), entre a turnê sul americana e a européia. Já há material suficiente, mas queremos ver até onde sopra o vento, ver no que sai.

E o titulo?
Não, não podemos passar ainda, é muito cedo. Tem que viver um dia de cada vez, "bambina" [algo do tipo mocinha, em italiano]! (ri). Hoje, por exemplo, estou olhando minha moto e decidindo um desenho de Harley Davidson que levará meu nome; também trabalho em um modelo gaitas Hohner e em uma linha de jeans. Amanhã é aniversário de uma de minhas filhas. Passado isso, começo a me preparar para sair de turnê... Cada dia é muito agitado e está cheio de coisas: é difícil de parar.

Vocês gravam desde 1973: que auxilio deu a tecnologia para o Aerosmith? Prefere a era digital a maquinas analógicas, ou misturam ambas?
Mesclamos as duas. Uma vez encontramos um par de temas velhos gravados em fita e analisamos as diferenças: o analógico é um pouco mais moderado, o som do bombo era mais gordo e o baixo mais sólido. Mas vai saber: hoje, com o Pro Tools e o digital, também pode conseguir isso mesmo. As vezes caprichamos e queremos usar a nota, mas com a nova tecnologia... Leva o computador por debaixo dos braços! Faz um mês estive em Maui, Hawai; passei duas semanas surfando, olhando casas a venda e compondo temas. Simplesmente abri o computador e gravei... e ficou bom!.

Vai comprar uma casa no Hawai?
Bom, é meu grande sonho. Tenho um amor muito especial pelo Hawai... Em 1975, durante a prova de som no estadio de Honolulu, Joe Perry começou a inventar um riff (canta), comecei a escrever a letra e assim saiu Walk this way... Boas lembranças. Alem disso, adoro mamão.

Circula uma biogradia cuja primeira frase disse: “Por mais de trinta anos, Aerosmith definiu o rock & roll da América do Norte". Está de acordo?
Gosto disso (ri). Olhe: quando falo com Jimmy Page e com Robert Plant (ex Led Zeppelin) ou com Keith Richards (Rolling Stones) e conto a eles como me fascina sua musica nos anos 60, eles me respondem: "Mas esta musica é tua, é o blues, é o rock & roll norte americano original; nós simplesmente falamos de volta... ". E sabe, eles têm razão. O rock & roll norte americano é uma loucura: é Elvis Presley, mas também se remonta ao bluegrass, que não tem bateria... mas se o bluegrass põe a bateria, se transforma em uma musica funky demencial. E isso está acontecendo hoje: os músicos tomam um pouquinho disso e um pouquinho daquilo. Uma das razões que o Aerosmith persiste e segue tocando depois de tanto tempo, é a diversidade... E acho que por isso que a gente nos ama tanto. Repare: de Jaded a Love in an Elevator... há um montão de musicas entre essas duas canções. Definimos o rock & roll norte americano?... Bom, não caiu a ideia... (risos).

Completou 59. Como vai levando a vida?
Quando vê a banda ao vivo não pense que tenho 59... (ri).

Não, na verdade não.
Olhe: tenho uma filha charmosa, Liv (a atriz de O Senhor dos Anéis), que é muito feliz e me fez avô. Tenho outras duas filhas, Mia e Chelsea, e um filho chamado Taj, como o Taj Mahal. Sou muito sortudo: tenho Joe Perry no palco e minha mulher é preciosa. Durmo nos melhores hotéis, me mantenho saudável. Que mais posso pedir?

 
 

 
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