Tom Hamilton - 23/05/2007


São Paulo

Aqui vai um pequeno arroto metal que me veio quando estávamos no Brasil. Desculpem ter demorado tanto para editar e posta-lo. Na verdade eu NÃO me desculpo. Como um roqueiro é o meu direito (e minha responsabilidade) ser desleixado e atrasado com tudo. Wow isso foi bom.

Chegamos muito tarde ontem à noite. Fui dormir por volta das 5:00h. Acordei às 13:00h para almoçar com o Joey e o Donny e depois sentamos na piscina com o Brad. Tinha muitos garotos no hotel. Muito emocionados e com medo de chegar para pedir autógrafos e fotos. Na verdade, a maioria deles estava com medo, mas fizeram assim mesmo o que eu respeito.

Fomos para a passagem de som por volta das 18:30. Um enorme estádio de futebol. O palco estava muito alto. Tocamos um monte de músicas e eu testei todos os meus baixos. O Parker estava muito barulhento, o Tompkins estava um pouco baixo, mas o Sadowskys estava bom. Vou tocar o Blonde na maior parte do show, exceto quando eu precisar do meu 5 cordas. Tenho que tomar cuidado porque vou ficar com os dois últimos dedos da mão esquerda formigando. Aguente firme!!

Voltamos da passagem de som e fomos para o bar. Ficamos com o promoter e conversamos sobre o mundo dos shows e sobre o mundo em geral. Ficamos por mais ou menos uma hora, agora estou de volta ao quarto. É estranho estar sozinho. Eu sinto que deveria voltar lá pra baixo para fazer social, mas já são 2:00h e eu não quero ficar exausto. Eu quero estar f@#&ing good amanhã à noite. Talvez solidão seja o preço. Talvez seja a recompensa.

- Meia-noite –

Acabei de entrar no meu quarto depois do show em São Paulo. Estou tentando dar um sentido ao furacão de pensamentos que está passando pela minha cabeça. Eu acho que há uma parte de mim que ainda acha que eu estou no palco. Os sistemas ainda não diminuíram muito. Talvez fosse a escolta policial. Minhas meias estão encharcadas. O resto das minhas roupas também estão, mas já estão numa mala voltando para o show para serem colocadas no case de turnê e depois limpas antes do próximo show em Buenos Aires.

É estranho fazer a transição da energia do show para o intenso suspense da viagem de volta para o hotel. Meu quarto está silencioso, exceto pelos clicks dos meus dedos cansados no teclado do computador. Estou imaginando se poderei descrever aquela noite. Há tantos pensamentos paralelos e emoções dentro de mim. São Paulo e Brasil em geral parecem inspirar emoção. As pessoas aqui parecem estar acostumadas a mostrar suas emoções. Não posso dizer que conheço o país o suficiente para ter certeza, mas esta tem sido a minha impressão dos últimos 3 dias.

O lobby do hotel tem ficado cheio quase o tempo todo com fãs que são mais que fãs. Às vezes é um pouco demais, mas no geral parece recarregar as baterias. Você não pode ser blasé de estar numa banda quando estas pessoas estão demonstrando tanto entusiasmo. Eu esperava que fosse o mesmo quando chegamos ao show e não ficamos decepcionados.

Este era grande show em estádio que estávamos ansiosos pra fazer há um longo tempo. Não tocávamos no Brasil ou na Argentina ou no México há 13 anos, mas lembramos bem da intensidade dos públicos. Isso facilita. Quando o público está fornecendo tanta energia, nós podemos relaxar e nos divertir. Não que nós...

Quer saber? Vou ter que esperar pra descrever o dia inteiro depois. Agora eu tenho que me concentrar no que estava acontecendo no palco e imediatamente depois.

Tivemos que dar uma corrida, o que é quando a banda vai direto do palco para os carros no final do show para não ficarmos presos por horas no local do show enquanto limpam o lugar. Tivemos uma escolta policial esta noite. Os policiais de moto aqui usam motos super ágeis. Elas parecem maltratadas e o que seja, mas são muito rápidas. As ruas são cheias de pessoas e carros e ônibus e caminhões. Para poder nos levar por entre os pedestres, eles tinham as sirenes berrando e as luzes vermelhas brilhando. Eles limparam o caminho virando pra lá e pra cá como patinadores. As pessoas meio que foram abrindo calmamente como o mar vermelho imaginando o por que do alvoroço. Alguns mostraram o dedo, o que foi engraçado. As motos avançavam pra cima das pessoas quase batendo nelas quando aceleravam. Eu mal podia olhar.

O suspense continuava. Eu achava que a qualquer minuto uma moto ia cair ou alguém na rua ia ser atingido mas de alguma forma chegamos aqui de volta sem nenhum arranhão. Nos alinhamos no lobby e tiramos fotos com os policiais. Eu ainda adoro a ironia daquela situação. Normalmente, quando os policiais e malucos de cabelos compridos estão na mesma foto é porque alguém foi preso.

Amanhã nós vamos para Buenos Aires. É bom estar aqui depois de todo esse tempo...

 
 

 
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